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Adoçantes Artificiais Associados a Declínio Cognitivo Acelerado

  • Foto do escritor: Gabriel  Atoji Henrique
    Gabriel Atoji Henrique
  • 6 de set.
  • 2 min de leitura

Imagem: Sora AI
Imagem: Sora AI

Um estudo abrangente realizado no Brasil, com a participação de mais de 12 mil adultos

acompanhados por 8 anos, sugere que o consumo regular de adoçantes artificiais pode

acelerar o declínio cognitivo, impactando negativamente a memória e a fluência verbal.

Publicada na revista científica Neurology, a pesquisa, liderada por cientistas da USP, oferece

uma das análises mais extensas sobre os efeitos a longo prazo desses substitutos do açúcar na

saúde cerebral.


Principais achados. A pesquisa identificou uma forte associação entre o consumo mais elevado

de adoçantes como aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, sorbitol e xilitol e uma taxa

mais rápida de declínio cognitivo global. Em comparação com indivíduos de baixo consumo,

aqueles que ingeriam maiores quantidades de adoçantes apresentaram um aumento de 62%

na taxa de declínio cognitivo global. As áreas mais afetadas foram a memória e a fluência

verbal. Notavelmente, a tagatose foi o único adoçante avaliado que não mostrou ligação com

o declínio cognitivo. A autora principal, Claudia Suemoto, destaca que o consumo de

adoçantes parece acelerar a perda cognitiva que ocorre naturalmente com o envelhecimento.

Limitações e próximos passos. O estudo reconhece algumas limitações, como a exclusão da

sucralose (um adoçante muito popular atualmente) e o uso de dados de dieta autorrelatados,

que podem introduzir distorções. Fatores de confusão residuais, como hábitos de vida

simultâneos ou mudanças na dieta ao longo do tempo, também não puderam ser totalmente

descartados. Apesar dessas ressalvas, o estudo representa um avanço significativo devido ao

seu grande número de participantes e à qualidade das avaliações. Ele reforça a necessidade de

mais investigações, especialmente ensaios clínicos controlados, para confirmar esses achados

e entender melhor os mecanismos subjacentes, como neurotoxicidade, neuroinflamação e

alterações na microbiota intestinal.


Implicações e recomendações. Os resultados sugerem potenciais danos a longo prazo do

consumo de adoçantes artificiais e álcoois de açúcar para a função cognitiva. Embora os

pesquisadores ponderem que mais evidências são necessárias antes de uma mudança nas

políticas de saúde pública, a autora recomenda cautela na interpretação dos números e sugere

que o uso regular de adoçantes artificiais seja repensado, especialmente considerando que

muitos são encontrados em alimentos ultraprocessados, já associados a problemas cognitivos.

A pesquisa também aponta que, mesmo para adoçantes que não mostraram associação neste

estudo, como a tagatose, não se pode afirmar que o consumo seja livre de riscos.

A pesquisa utilizou dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa Brasil), que

acompanha os mesmos indivíduos ao longo do tempo, permitindo uma análise detalhada das

mudanças cognitivas e de dieta.


Essa matéria foi elaborada por Luiza Caires, com publicação no Jornal de USP em 03/09/2025.

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